que me motivou a escrever este pequeno artigo, foi a atestada baixa qualidade da maioria dos equipamentos eróticos atualmente vendidos nos "sex-shops" da cidade.

Isso não é um problema apenas no Brasil, uma vez que a maioria dos produtos é importada e os nacionais igualmente não primam pela qualidade. Como dificilmente causas envolvendo este tipo de produto chegam à justiça, o comércio de produtos defeituosos e/ou de má qualidade continua intenso. Apenas para consolo dos brasileiros, nos "sex-shops" que visitei pelo mundo, também notei esta generalização de "falta de qualidade" (embora existam linhas produtos de melhor qualidade e preços mais elevados que não estão vindo para o País, em razão da instabilidade cambial, etc)

Deixando de lado as críticas, pretende-se fazer uma abordagem prática, para que usuários destes produtos não "queimem dinheiro", comprando equipamentos que depois se mostram pouco funcionais.
Escolhendo entre "dildos" e "plugues".

Como distinguir

A diferença entre um "dildo" (consolo) e um "plugue" é bastante grande. Os "dildos" são projetados basicamente para inserção vaginal e portanto, possuem um formato anatômico mais semelhante a um pênis (cilíndrico e comprido, com variações). As estrias são geralmente mais acentuadas, pelo fato dos tecidos a ficarem em contato ao "dildo" serem sensualmente sensíveis ao estímulo vibratório. Podem ser feitos em plástico ABS (liso e opaco/transparente) ou em variações de borracha de silicone (em Amsterdam vi de madeira torneada, que sinceramente não aconselho).

Os "plugues", por sua vez foram concebidos principalmente para inserção anal (masculina ou feminina). Possuem um acabamento normalmente mais "liso", são mais curtos e possuem um formato semicônico peculiar. Se devidamente inseridos, permitem estimulação da base da bexiga, próstata (caso dos homens) e cólon do útero (caso das mulheres). A remoção posterior geralmente é feita com facilidade e como possuem uma base larga (que jamais deve ser inserida), não possuem o risco de "entalar", como garrafas, etc. Normalmente "assentam" em uma posição que permite ao usuário "segurar" o plugue, comprimindo o esfíncter (alguns homens costumam usar um "plug" anal durante a prática sexual). São normalmente feitos em borracha de silicone, mas podem ser encontrados também em metal (alumínio anodizado), em diversos tamanhos.


Escolhendo a finalidade

Claro que o fato do "desenho" ser "peculiar" não impede que "dildos" sejam utilizados por via anal ou "plugues" em via vaginal. Mas não se aconselha que um mesmo "acessório" seja compartilhado nos dois fins: as borrachas de silicone são porosas e a higienização deste tipo de acessório jamais será perfeita. Portanto, ao adquirir um "dildo" ou "plugue", escolha sua "finalidade" definitiva e não a altere, principalmente se inserido primeiramente por via anal.

Uma vez definida a finalidade do "acessório" em questão, convém ter em mente alguns fatores relevantes: formato, diâmetro, material, etc. É comum ver pessoas entrarem em "sex-shops" e ficarem completamente desnorteadas em meio a um mundo de acessórios tão diversificados. Antes de pedir para testar todos os tipos de aparelhos, tente mentalizar onde será utilizado e qual a sensação que se deseja obter. Se for utilizar em si, lembre-se das suas próprias "dimensões" ou corre o risco de adquirir um equipamento completamente inútil!

Se for presentear alguém, isto se torna ainda mais crítico: a maioria dos "acessórios" possui dimensões acima daquelas que se poderia considerar "adequadas" e serve mais para impressionar o presenteado do que para o uso, principalmente de iniciantes. Lembre-se que um "dildo" de borracha certamente não acomodará tão facilmente como um pênis de verdade, das mesmas dimensões. Tenha isso em mente antes de sair comprando...

Por fim, seja criativo! Não é necessário se fiar plenamente nas finalidades expostas nas embalagens para adquirir equipamentos em "sex-shops" (os "dildos" de um modo geral são muito bons para estimulação peniana - coisa que pouca gente sabe. fui informado também que alguns "G-reacher" podem ser utilizados para "massagem prostática" - quem diria? Mas não tenho certeza do resultado...) Não aconselho que proceda a modificações "gratuitas" por sua conta e risco nos "aparelhos", por mais engenhosa que possa parecer...


Defeitos de injeção e projetos esdrúxulos

É comum os "acessórios" virem com rebarbas, farpas, bicos de injeção, etc. Verifique cautelosamente se não é o caso; uma rebarba de plástico pode fazer um estrago tão grande como um bom bisturi...

Descobri em alguns "acessórios" injetados, "buracos" no silicone. Isso quer dizer que ao invés da superfície ser perfeitamente lisa, possuía reentrâncias que permitiam reter matéria orgânica/fluidos (o aparelho não foi tirado de venda!). Notei que este tipo de defeito é bastante freqüente, principalmente em peças de silicone. Se for o caso, não adquira um produto defeituoso...

Outro defeito bastante comum são soldas do plástico/borracha mal feitas. Neste caso, além das rebarbas, há o problema de entrar água/fluidos/matéria orgânica, contaminando o aparelho. De uma maneira geral, o ideal é que o aparelho seja completamente estanque. Os melhores possuem um "o-ring" (um anelzinho de borracha) na rosca da tampa do "holder" de pilhas, que dá uma vedação muito boa. Portanto, prefira aparelhos que tenham "o-ring".

Desconfie também de "projetos fantásticos": o que o fabricante informa na embalagem nem sempre é verdadeiro... Desconfie também daquelas informações tipo "projeto revolucionário aprovado por 500 mulheres". (comprei um "G-reacher" que realmente não pode alcançar o tão falado "ponto-g" de mulher alguma: o aparelho ao ser inserido "vira de lado" e o "magnífico acessório" fica sempre fora de posição...).

Mas há de fato bons projetos: alguns possuem "duplo vib", um vaginal outro clitoriano, etc. No exterior, há aparelhos disponíveis com "timer", controle remoto, etc. Alguns possuem inclusive comando de "vib" computadorizado, variando a freqüência, pulsando, etc. Infelizmente com disse, a maioria não chega no Brasil...


Escolhendo o acabamento

Higienizar um "acessório" de plástico ABS é bastante fácil: basta um pouco de água morna e espuma de sabonete neutro, sem imergí-lo totalmente na água. Não molhe a tampinha de trás, onde está o potenciômetro, pois este é muito sensível à umidade. Se tiver "vib" e entrar água por ter sido submergido, poderá danificar o motor ou o potenciômetro (como a higienização é complicada, não se aconselha repartir "dildos" ou "plugues" com parceiros). Pessoalmente, não gosto muito da sensação de contato do ABS (plástico duro), principalmente diretamente sobre os genitais. Para inserção anal, ainda são os mais aconselháveis, pelo motivo da fácil higienização.

Já os acessórios com acabamento em borracha de silicone ou análogo, são mais difíceis de serem higienizados: a superfície é um tanto porosa, retendo partículas de fluidos/matéria orgânica. A sensação de contato, no entanto, é mais próxima à da pele humana, tornando-os bem mais "agraváveis". Uma solução para a higienização é adquirir acessórios deste tipo em que a borracha de silicone seja destacável (há vários no mercado). A borracha pode ser totalmente imersa em água com um pouco de solução bactericida à base de amoníaco ("pato purific") por meia hora e depois lavada em água corrente com sabonete neutro.

Depois de lavado em água corrente, deixar secar naturalmente na sombra, sobre uma toalha limpa e macia antes de guardar. Aconselha-se sempre a lavar os equipamentos com água e sabonete neutro antes do uso. Se tiver "vib", deixe-o após ter sido lavado, ligado por uns 15 minutos sobre a toalha. Isso evitará que o motorzinho, se tiver recebido gotículas d'água durante a lavagem, oxide, travando e perdendo-se para sempre o "equipamento" (nenhuma loja irá substituí-lo por um novo...)

Observação: nunca desmonte o aparelho para lavar sua parte interna: você poderá estar molhando o motorzinho do "vib", o potenciômetro e o "holder" de pilhas e ele nunca mais irá funcionar...


Vibradores, etc

A maioria dos acessórios eróticos possui dentro dele, um vibrador encapsulado, movido de uma a quatro pilhas de 1,5V. O sistema de vibração funciona da seguinte maneira: as pilhas fornecem energia a um motorzinho de corrente contínua (parecido com aqueles que existem em brinquedos para crianças), que irá girar. No eixo deste motorzinho, existe uma pequena massa descentralizada que ao ser impressa a rotação, causará trepidação (mais ou menos como uma roda de automóvel desbalanceada).

Um outro sistema de "vib" é por "indução eletromagnética". Este é mais usado naqueles massageadores musculares, que são ligados à tensão de 127V. Nestes, não há parte móvel. Existe uma espécie de bobina, enrolada na forma de um transformador. Ao ser carregada com uma tensão oscilante, fará oscilar um "induzido" de ferro, que produz as vibrações. São aparelhos bem maiores e como dependem de uma fonte de energia AC (corrente contínua), não existem nas versões para "estimulação erótica" (embora alguns destes aparelhos possuam acessórios adaptáveis "interessantes")...

Se for comprar um equipamento com "vibro", verifique cautelosamente se o motorzinho está funcionando adequadamente. As lojas de "sex-shop" não trocam equipamentos defeituosos e a maioria dos "acessórios" é feito na China, com baixo ou nenhum controle de qualidade. Os motorzinhos utilizados são os mais baratos que existem em produção (até agora não encontrei nenhum que utilizasse motores de melhor qualidade).

Verifique principalmente o funcionamento do potenciômetro. O potenciômetro é um resistor colocado em série, rotativo (montado na parte de trás do aparelho) ou translativo (montado no "holder" das pilhas), que permite "variar a velocidade" do motorzinho, implicando em sensações de vibração diferentes. Se for montado no "holder" das pilhas, pode-se depois de ajustar o aparelho ao usuário, ir "variando repentinamente" a velocidade, criando-se assim, sensações pulsativas interessantes...

Muitas vezes, é exatamente o potenciômetro que vem defeituoso, principalmente os translativos (sobe-desce). O vendedor provavelmente irá colocar pilhas no "acessório" e lhe mostrar na mão que "está funcionando". A maior parte das pessoas se contenta com isso e "fecha o negócio" (normalmente estão tensos demais exatamente por estarem dentro de um "sex-shop", para pensarem adequadamente).

Ao invés disso, pegue um pouco o aparelho na mão e sinta por um instante se a vibração é realmente agradável: não se apresse em comprar... Depois vá variando a velocidade do "zero" ao "máximo" e retornando ao "zero" e verifique se a mudança é constante. Se a transição não for suave, provavelmente o potenciômetro está com defeito... Aliás, ficar tenso por se estar adentrando um "sex-shop" no fundo é uma imensa besteira: quem me dera ver chegar o dia em que as pessoas adentrarem estas lojas como o fazem num supermercado ou numa loja de roupas...

Dica: se o aparelho for "encapsulado", verifique se não há orifícios abertos na saída do fio (vibradores tipo "bullet" - as pilhas ficam num "holder" à parte e o "vib" tem o formato aproximado de uma grande cápsula de medicamento). Caso exista algum orifício, o aparelho não poderá ser usado para inserção anal/vaginal. Diga o que quiser o fabricante na embalagem: os fluidos penetram através do orifício deixado para a passagem do fio, "contaminando" internamente o aparelho.
Além de não poder ser higienizado adequadamente (se imerso na água, provavelmente nunca mais voltará a funcionar), os próprios fluidos que penetrarem na cápsula causarão com o tempo, oxidação do motorzinho, que irá parar de uma hora para outra...

Uma solução para os "bullet" (que aliás, são bastante divertidos) é comprar uma bisnaga de silicone em uma loja de material de construção (de preferência, marcas conhecidas) e vedar a saída do fio com silicone. Pode-se também aplicar silicone sobre o "bullet", revestindo-o com uma camada que irá propiciar um melhor contato físico. Se fizer isso, para obter uma camada "lisa", aplique por cima um filme de PVC tipo "perfex", com o material recém-aplicado (demanda certa habilidade manual). E não se esqueça: deverá deixar a borracha de silicone "curar" por aproximadamente 48 horas antes do uso, pois o solvente é ácido acético que é muito irritante...

(Alguns usuários também tiveram a idéia de utilizar "bullets" inseridos em uma dessas "camisinhas de dedo", que é uma idéia interessante; ou cortando-se o dedão de uma luva cirúrgica, para que possa ser "encapsulado com borracha".)

Chegando em casa

Com o aparelho recém-adquirido, lave o aparelho com água corrente morna e sabonete neutro, seque-o externamente com uma toalha, coloque pilhas novas, teste-o contra a sua mão. Antes de tentar utilizar qualquer equipamento BDSM, você deverá conhecê-lo muito bem, estar familiarizado com seu funcionamento, com suas peculiaridades. Com isso, poderá evitar muitos acidentes por mau uso...

Depois disso, deixe-o funcionando por aproximadamente 1 hora a uma velocidade "mediana". De vez em quando, varie a velocidade, suavemente do "mínimo" ao "máximo". Com isso, estará "amaciando" o motorzinho que vem dentro do aparelho. Como um motor de automóvel, só que muito mais simplório, o motorzinho dos "vibs" também precisa ser "amaciado". Pouca gente sabe disso, mas farpas, defeitos de fabricação, irregularidades irão ser "desgastados" com essa operação simples e o funcionamento do aparelho irá ficar mais "macio"...

Se for usar em alguém, estude antes como irá fazer isso. Ensaie, perceba as dimensões reais do equipamento, pois "na hora-H" isso será realmente muito mais difícil...


Por fim... o lubrificante!

Nunca utilize "dildos" ou "butts" sem uma generosa lubrificação: normalmente por via vaginal, no sexo "natural" nosso organismo se encarrega de fazer isso de uma maneira bastante eficiente (pessoalmente, assim mesmo eu costumo complementar a lubrificação com uma pequena dose de KY).

No entanto, os "dildos" e "butts" não são "autolubrificantes" e a inserção de um acessório destes sem lubrificação não é prática BDSM - é insanidade! Pode provocar ruptura dos tecidos, com conseqüências gravíssimas à saúde (consulte um médico a respeito). Lubrificantes à base de petróleo (óleo mineral, vaselina, etc..) não são adequados, pois não são solúveis em água, não podem ser removidos com facilidade e destroem as partes de borracha do equipamento e preservativos de borracha.

Existem algumas receitas de "lubrificantes caseiros", mas considero o mais adequado ainda o velho e bom KY, da Johnson. Sim, na farmácia da esquina tem! (já vejo até nas gôndolas do Pão de Açúcar, junto com cosméticos – não é nenhuma vergonha comprar e tem pessoas que necessitam dele, mesmo se não estiverem praticando sexo...) Experimentei certa feita um da Preserv, que é mais difícil de encontrar e com bons resultados (a lubrificação me pareceu mais durável). Existe também KY em líquido, que ainda não experimentei.

Não recomendo aqueles lubrificantes comercializados em "sex-shops": não sabemos em quais condições foram transportados até o Brasil, nem ao certo a formulação contida. Tenha em mente que algumas pessoas são muito sensíveis e eu, por exemplo, sou muito alérgico – e não sou exceção na população brasileira. Jamais se deve usar "lubrificante com anestésico" para prática anal, pois se pode estar mascarando danos reais e graves aos tecidos, que ao cessar o "efeito anestésico", irão ficar evidentes... Lubrificantes vaginais com "aquecimento" ou penianos com "excitante", aconselho a correr destes produtos!

Lembre-se que o KY "vence" depois de um tempo: se for abrir a embalagem e ao invés de gel, se apresentar como líquido, está vencido e deve ser descartado. Pode ser usado normalmente com preservativos de borracha; não tem odor e praticamente não tem gosto (embora acredite que não deve ser ingerido - não encontrei indicações a respeito na bula, que não é lá muito "kinky"...).

Usando aparelhos.

Cuidado! Aparelhos para inserção anal/vaginal podem provocar muito mais estragos do que imagina! Portanto, use com cautela, considerando que irá inserir algo em regiões muito sensíveis do corpo humano. Lembre-se também que os aparelhos devem ser guardados sem pilha e cuidadosamente lavados antes e depois do uso...

Dicas para inserção. Se for inserir um "dildo" via vaginal, antes de iniciar a inserção propriamente dita, teste antes o aparelho, escolhendo a velocidade desejada (dificilmente poderá alterar isso posteriormente). Lubrifique com abundância a extremidade do aparelho e aplique-o suavemente sobre a vulva, clitóris, etc.. Não tenha pressa... Algumas mulheres preferem gozar com "dildos" apenas na estimulação clitoriana. Você terá que descobrir o caso..

Se este for o caso, continue a fazer movimentos circulares na região do clitóris, exercendo ligeira pressão constante. Quando perceber que começou a gozar, encoste a superfície do "dildo" ao longo da vulva (mantendo a extremidade sobre o clitóris), de maneira a estimular externamente também os grandes lábios. Enquanto estiver gozando, mantenha o "dildo" parado nesta posição. À menção de "retirar", cesse o contato imediatamente e isso poderá acontecer "de uma hora para outra". Não tente fazer sexo logo em seguida a uma prática desta natureza... (se fizer bem feito, a pessoa fica como que "exaurida").

Se não "resolveu parar" na estimulação clitoriana, agora "vá descendo" o aparelho, até encontrar os grandes lábios. Provavelmente, nessa altura, terá que reforçar a lubrificação do aparelho - sempre aplique o KY sobre o aparelho, não sobre as partes íntimas, pois o contato "frio" é fortemente desestimulante... Vá fazendo movimentos ligeiramente circulares, até que comece a observar o aparecimento dos pequenos lábios. Continue os movimentos, até que possa "encontrar a posição" para inserção. Nessa altura, a vagina ficará com uma conformação bem particular, como "de espera".

Antes de inserir, lembre-se agora de lubrificar o "dildo" completamente, até a base (mesmo se não for inserir completamente)... Insira mantendo o aparelho na posição adequada, fazendo ligeira pressão na base, constante, até que penetre inteiramente na vagina. Atenção: se encontrar resistência, não force - poderá ter chegado ao final do "comprimento" da vagina antes de terminar o do aparelho... Mantenha o aparelho inserido, fazendo ligeira massagem no clitóris e movimentos de "sobe-e-desce" com a base do aparelho, até obter o orgasmo. Depois disso, comece a operação inversa, movimentando com muito cuidado o aparelho para fora, bem lentamente... Só tente desligar depois que estiver totalmente removido. Lave-o em seguida.

Para inserção anal, lembre-se que é uma espécie de variação da prática de "fisting": o objetivo é tornar a musculatura do esfíncter "complacente", antes de começar a inserção propriamente dita. Lubrifique abundantemente, inclusive aplicando KY sobre o ânus, com uso do indicador (cuidado para não contaminar a bisnaga – esprema o KY sobre o dedo e não o inverso). Massageie lentamente com o indicador e o dedo maior, fazendo ligeira pressão contra o esfícter. Segure a pressão por uns 5 segundos, depois relaxando novamente.

Massageie novamente, sempre com muito cuidado. Faça pressão novamente. Não tenha pressa: em determinado momento, a musculatura irá naturalmente "se abrir" e poderá introduzir um dedo, previamente lubrificado (recomenda-se o uso de luvas descartáveis para esse procedimento). Quando tiver "ganho confiança", é ora de experimentar o "plugue"...

Alguns "kits" contêm plugues de três tamanhos: "iniciante", "médio" e "expert". Não subestime: há produtos que servirão apenas para "os mais experimentados"... Se for a primeira vez, recomenda-se iniciar com o plugue correto. Lubrifique-o inteiramente e abundantemente. No ato de inserção, não force sua passagem: comece lentamente mais a "posicioná-lo" corretamente, do que a "empurrar para dentro".

No processo, se o esfíncter se fechar, não insista: deixe que o plugue "deslize para fora" naturalmente. Depois, limpe tudo com papel e tente tudo de novo... Uma dica: se estiver já no meio da inserção, pode mandar à pessoa que estiver "recebendo" o plugue, que "empurre". Mantenha apenas com a sua mão, o plugue na posição: ao ser "empurrado", irá penetrar um tantinho de cada vez... Se tiver sistema para inflar, recomenda-se tomar o máximo de cautela: os danos que podem ser causados são muito extensos e o aparelho deve ter medidor preciso do nível de pressão a que está submetendo as paredes do reto...

Para remover o plugue, basta segurá-lo firmemente pela base. A pessoa deverá fazer força, como se estivesse expelindo fezes. O aparelho deverá sair tranqüilamente. Se não for possível, tente a operação novamente, sem jamais forçar. Se for totalmente impossível, procure ajuda médica imediatamente...

Por fim, já que os "dildos" também servem para estimulação peniana, por quê não falar dela?

Sim, apenas não se recomenda que sejam aplicados diretamente sobre os testículos: podem causar micro-lesões irreversíveis - isso é sério! Mas, lubrificando-se bem o pênis, pode-se estimular a base do pênis, pressionando o "dildo" na região de saída da bolsa estrotal (sem tocar testículos). É uma estimulação bastante interessante e a vibração na base faz com que fique bem ereto.

Depois, pode-se estimular a glande, aplicando a extremidade do "dildo" diretamente sobre ela. Estimular a pele do prepúcio, com a glande totalmente exposta é também bastante excitante (lembre-se de manter sempre um bom nível de lubrificação). Por fim, para gozar, basta pressionar o "dildo" contra a parte anterior do pênis, na região do "freno", ligeiramente abaixo da glande. Colocar o "vib" no máximo e manter a pressão até ocorrer a ejaculação. O difícil é conseguir manter o "dildo" em posição por ainda mais um ou dois minutos, durante e um pouco depois da ejaculação, para forçar uma "ejaculação total" do parceiro... (o que é bem "kinky")


Abraço a todos e boa sorte! E lembre-se sempre: prudência...     


(Publicado originalmente no 'Desejo Secreto" em duas partes)